sexta-feira, 18 de julho de 2014

O preço da Copa, uma visão demagoga de esquerda

 

Assisti ao documentário “The price of the World Cup” (O preço do Mundial), dirigido e produzido por Mikkel Keldorf, que busca analisar (obviamente sob uma lupa esquerdopata) o que considera o legado “social” da Copa do Mundo. Tenho uma série de apontamentos que considero relevantes sobre a película e que me sinto moralmente obrigado a registrar. Seguem:

1 – Desigualdade: O DOC sistematicamente utiliza o conceito de desigualdade social como algo intrinsecamente ruim, ignorando o fato de que a igualdade é um ideal inalcançável e impraticável, aliás, assustadoramente não interessante a qualquer sociedade. Vale a pena ler mais a respeito nos links abaixo. Fosse mais bem informado ou ideologicamente menos manipulador, o autor teria reclamado é de como a falta de liberalismo leva massas à miséria nas regiões retratadas.

Igualdade: o ideal desconhecido

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1551

O igualitarismo é uma revolta contra a natureza

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1206

A igualdade de renda é moralmente indefensável e seu legado é humanamente trágico

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1802

A igualdade econômica é imoral e atenta contra o “bem comum”

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1859

2 – Estatísticas: O documentarista utiliza dados de número de crianças de rua mortas dado por um dito especialista em ONGs que atendem este público específico. Oras, qual diabos é a credibilidade do número apresentado? Fosse eu dirigente de uma ONG de atendimento a velhinhos em situação de desamparo, tendo a oportunidade, inflaria o máximo possível os dados de forma a ampliar minhas chances de obter verbas. (Exatamente o que fazem os cientistas no concernente ao aquecimento global) No Brasil, vale destacar, as ONGs são reconhecidamente grandes receptoras do dinheiro de doações e de divisas governamentais. Motivos estes pelos quais são sistematicamente relacionadas a casos de corrupção e desvio de verbas. Obviamente, o número de casos de morte de crianças de rua da SSP do CE ser zero é digno de desconfiança, mas daí a se trabalhar com o número de 121 é um grande salto, principalmente, porque se parte do pressuposto implícito (no documentário) que seriam jovens executados à mando do “capital local e/ou internacional”. Em suma, os números não possuem credibilidade e vem carregados de rancor ideológico. Fossem uma média de dados de institutos, pastorais, ONGs e pesquisadores, ok, mas um “certo cálculo” tirado da cartola não dá para levar a sério.

3 – Removidos: A entrevista de moradores de favelas impactadas por obras da Copa, sem fazer delongas, omite de que eles não são proprietários legais dos espaços em que moram na maior parte das vezes. Favelas são em sua totalidade invasões ilegais de terrenos particulares ou da própria União. O uso de parâmetros como “uso capião”, que muitas vezes permite na Justiça que esses invasores ganhem direito a habitação dos locais devido ao tempo de permanência, é muito mais uma prova de um Estado que não leva a sério os direitos a propriedade, do que prova de um “direito adquirido”. Ainda assim, como o próprio documentário mostra, as desapropriações respeitaram o ordenamento legal oferecido a proprietários legais, ou seja, a devida indenização. Se o documentarista que justificar alguma injustiça, deveria trazer o quanto foi que as famílias receberam antes de serem retiradas e o quão abaixo do mínimo necessário este valor é. Mas ele não fala! Motivo? Aposto que o Estado deve ter pago um valor justo (afinal, o contrário levaria a uma grita geral na mídia) e isso não contaria “pontos” para o documentário.

É claro (e mais do que óbvio) que uma área legal e urbanizada, em equivalente localização das favelas, não terá um aluguel ou preço de metro quadrado de barraco. Até aí, tem muita gente que paga aluguel há décadas, para poder viver nestes espaços legalizados e o dia que tiver que se mudar não sairá com uma bolada em dinheiro. Para quem vivia as margens da lei, agora, poder comprar uma casa dentro da lei, na periferia, pode não ser ideal, mas é muito mais do que justo. Isso, se tais famílias tiverem em mente entrar na legalidade, o que eu duvido (vide os incentivos do Estado para isso, já que nunca ouvi falar de que famílias tivessem um limite máximo de vezes em que possam ser beneficiadas com desapropriações de ambientes invadidos...) O mais provável, até mesmo tendo em vista a realidade econômica delas, é que tenham armado outro barraco na mesma área (mas fora da zona de retiradas indenizadas) e embolsado a diferença de custo. A reclamação da moradora falando do custo de aluguéis na região chega a ser patética. De onde ela tirou que pode exigir condições idênticas de localização só porque o barraco ilegal anterior tinha isso? Nem o dono de um propriedade legal, uma vez indenizado, pode! Mas ela pode entrar pedindo uma indenização por danos morais. Duvido que tenha tentado.

4 - Genocídio: Ao entrevistar um especialista alemão em violência no Brasil, o documentário deixa de destacar/explicar/descrever/citar ou chutar os motivos que levaram os estados de SP e do RJ a terem reduzido seus casos de extermínio de moradores de rua e o porquê de no nordeste e norte esta ser a nova “moda”. Pronto a oferecer o microfone a um “especialista” de ONGs que só falta dizer que todo o policial militar em folga é um potencial matador de aluguel de pobres , o documentarista “esquece” de abordar como as regiões que destaca estão, desde que se sabe, nas mãos de partidos governistas com programas assistencialistas de cunho eleitoreiro e administrações profundamente corruptas e acomunadas com o crime organizado.

Infelizmente, o que ele (documentarista) faz é dar a entender que é o “capitalismo” por trás dos grandes eventos internacionais a mola propulsora do aumento dos assassinatos de moradores de rua. E com base no que? Na acusação insensata de um dito especialista em ONGs da região, é claro! O mesmo que acusa o comércio local, por exemplo, de contratar matadores para se livrar de ladrões e moradores de rua. O que, não posso afirmar que não é um fato, mesmo que seja, é muito mais o resultado da ineficiência estatal em oferecer segurança pública de qualidade e muito menos um mero preciosismo de quem possui dinheiro. O fato de se esconder que os assassinatos, muito provavelmente, são promovidos é pela própria bandidagem em aberto processo de organização (o que sempre gera pilhas de corpos de bandidos concorrentes menos organizados), é apenas um detalhe.

É mais do que óbvio que não interessa aos governos brasileiros populistas que o mundo conheça as mazelas nacionais e regionais, mas jogar o problema nas costas da organização da Copa é livrar a cara dos verdadeiros responsáveis, aqueles que há décadas dominam sistematicamente os governos locais e nada fizeram para resolver a questão dos moradores de rua (entre muitas outras), com especial destaque ao PT que está no poder e é o principal beneficiado pelo evento.

5 – Liberalismo: Em um determinado momento do documentário um garoto diz como sobrevivia inicialmente mendigando e como passou a vender balas para assim conseguir seu sustento diário. É uma situação triste, mas menos desesperadora do que a de um garoto de rua em uma república africana falida pós (ou ainda) sob tutela de governos de esquerda e que não terá à sua disposição um mercado interessado ou capaz de comprar bombons. A livre-empresa do garoto é o símbolo de como o CAPITALISMO gera riquezas e, ainda, que se fosse menos combatido pela corja ideológica que edifica as bases filosóficas do documentário, seria a solução para que muito menos meninos e meninas estivessem nas ruas. Fosse este um país menos hipócrita, as tais duas “pobres” ONGs que o “especialista” diz terem fechado por falta de dinheiro, poderiam se manter com base no trabalho da molecada.

Um moralista gritará “Trabalho infantil é crime!”. Melhor então morrer de fome? Oras, pode um menino de rua, desde que sozinho, vender doces, mas não podem, de forma organizada, centenas de crianças venderem doces e todo o tipo de bugiganga a interessados em benefício delas mesmas? Qual a diferença, fora que em maior escala todos se beneficiariam? O dinheiro arrecadado, se bem administrado por verdadeiras organizações sem fins-lucrativos, garantiria a todos estes jovens um teto, comida de qualidade, roupas e educação no meio período que não estivessem trabalhando. Para que doações se essas crianças podem aprender logo cedo o valor do trabalho, usufruir do fruto dele e garantir o seu próprio futuro? Só uma sociedade hipócrita, preferirá crianças brincando imundas, abandonadas e doentes no chão da rua, a crianças fazendo um trabalho leve, mas que garanta sua dignidade e sobrevivência. O mundo ideal pode ser de molecada rindo nos parques, mas se o mundo possível é de garotada de barriga cheia, estudada e que não gerará mais uma geração de moradores de rua, já está de bom tamanho!

6 – Cidadãos: Segundo o documentário no Rio de Janeiro a polícia mata cerca de 885 cidadãos por ano. Sério? 885 cidadãos ou esse número de seres humanos? Uma pessoa não é um cidadão só por ser um indivíduo, pelo menos, não segundo a definição do termo cidadão. Vejamos:

Segundo o dicionário da Porto Editora “cidadão. nome masculino. indivíduo pertencente a um estado livre, no gozo dos seus direitos civis e políticos, e sujeito a todas as obrigações inerentes a essa condição”. Um bandido morto em confronto é um cidadão? Oras, dirão: “mas nem todos são bandidos!”, oras, direi, mas nem todos são cidadãos! Na dúvida, não rotular traficante de cidadão é importante. Ao mesmo tempo, esquecer das outras 50 mil vítimas por ano da criminalidade brasileira, ou seja, dos cidadãos de segunda-classe (ou candidatos a cidadãos, já que não se pode dizer que sejam todos merecedores da classificação), é esquecer “sem querer” que no Brasil, faz muito sentido a polícia abater só no RJ 885 por ano. Pode parecer cricri da minha parte, mas as palavras fazem toda a diferença e um estrangeiro, principalmente um que desconheça a realidade brasileira e a montanha anual de corpos do país, será induzido a imaginar que a PM carioca anda metendo bala em qualquer um que lhe passa na frente. Ainda que, concorde, a corrupção da corporação no Rio, leva a muitos casos de abuso de poder e assassinato de inocentes e cidadãos. Mas frente à realidade nacional, generalizar a atuação da polícia como “assassina” eminentemente de gente inocente é, simplesmente, o cúmulo da demagogia de esquerda. A mesma que faz, pasme, regiões muito menos policiadas do norte e nordeste a EXPLODIR em criminalidade e em assassinatos. Mostrar que o aumento do efetivo das tropas, incremento no policiamento ostensivo, investimento em inteligência e em número de prisões em São Paulo fez com que hoje a criminalidade no Estado seja equivalente a de Nova Iorque nos anos 90, o alemão na direção não fez. Preferiu dizer que o índice de mortes no RJ é de 1 para 10 mil, enquanto em NY é de 1 para 1 milhão. Mas, porque não comparou com o de SP ou, melhor, com o de Fortaleza? Simplesmente, porque se fizesse isso, teria de admitir que quanto maior o policiamento, menor os índices, e seu projeto de “estigmatização” da polícia militar iria por água abaixo.

Em suma, o documentário é uma colcha de retalhos das demagogias de esquerda e nem se dá ao trabalho de criticar um problema que todo o brasileiro sério vê escancarado na simples frase “Brasil, país do futebol”. A saber, o mal que é um país ter como ápice e, talvez, única forma de gente pobre vencer na vida, a profissão de chutador de bola. Pelo contrário, com o tom emotivo clássico de todo material de propaganda esquerdopata, o documentário retrata na vibração de meninos de rua em uma Copa exclusiva para crianças de toda a parte do planeta na mesma situação (algo por si só horroroso de se pensar pelo motivo que retratei neste parágrafo, mas dessa vez em escala global) a “beleza e esperança” de um futebol que não resolverá nada na vida delas. É quase como dizer “estamos aqui combatendo o Capital, ok? Esse esporte ser o ópio de um povo ignorante, a nós serve muito bem”.

Assista o documentário e vomite também:

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Não há mais espaço para a “Primeira Diretriz”

Por Dalton L. C. de Almeida

Aviso: Abaixo segue um comentário que postei, hoje, em meu perfil no Facebook . Ele segue exatamente como foi feito, no ritmo que veio a minha mente e passou ao universo digital por meio de meus dedos contra o teclado. Em primeira pessoa e objetivo, é um texto que poderia ser retrabalhado para entrar nos “moldes” comuns ao universo blogueiro, mas acredito que sua força (se tiver alguma) está na forma em que veio ao mundo (inclusive com os erros). Por isso, o preservo como é e evito caia  no rápido esquecimento da contínua alimentaçãotípica do Facebook. Opinião direta, representa exatamente o que acredito e reflete as responsabilidades que vejo pesarem sobre os ombros cristãos do ocidente. Sem sombra de dúvidas  é um prato cheio para ataques de relativistas, politicamente corretos e toda a sorte da corja de apoiadores de regimes comunistas assassinos. A estes deixo a mensagem: “digo o que acredito enquanto posso, pois se vocês vencerem, eu e muitos outros seremos mortos sem piedade. Silenciar hoje, é aceitar uma excução que ainda não está garantida e que com fé não acredito que acontecerá. Aliás, nem vocês estão garantidos, portanto, deveriam repensar seus conceitos”. Segue o (longo) comentário:

 

Vitima cubana

“A livre determinação dos povos tem limites. A Segunda Guerra Mundial foi o maior exemplo disso. O mundo se uniu contra a livre determinação germânica e japonesa que colocava em risco o futuro da humanidade. Por isso, não entendo como é que os EUA, a ONU e todo o ocidente democrático são capazes de suportar a existência da realidade cubana. Submetida a uma ditadura sanguinária, que oprime seu povo, o mantém na miséria, sequestra sua população(o caso da blogueira cubana é exemplar, ao ser impedida viajar!!! Um cidadão que não é criminoso, que não fez NADA de errado!).

O mundo ocidental livre deveria arrebentar com o regime cubano, fosse militarmente, fosse economicamente. Bastaria vontade! Bastaria a ONU os estrangular economicamente DE VERDADE, e fazer o mesmo com todos os países párias como a Venezuela e nosso BRASIL que se metessem a ajudá-los. Como? Fácil, basta os estrangular também, sem delongas, mostrando que não há "colher de chá" para ditadores, assassinos e monstros, sejam efetivos, sejam potenciais. Concomitantemente, também  deveriam colocar em cada praia cubana um navio anunciando em alto e bom som que caído o regime, a ajuda chegaria, que aos que querem a liberdade que pendurem seus opressores nos postes pelos calcanhares ou os entrege nas praias para serem presos como inimigos da humanidade e dos Direitos Humanos que são.

E, em pouco tempo, assim que não existissem mais líderes suficientes para tentar um guerra de guerrilha ou soldados fortes o suficiente para atacar seu próprio povo e/ou aos estrangeiros que viessem em auxílio à população cubana, a ONU entraria no país para fazer uma verdadeira limpa, prender todos os opressores que ainda estivessem escondidos e iniciar a construção de uma democracia real. Utopia? Talvez. Mas muito melhor do que o lixo moral, sem vergonha e nojento que é o regime comunista de Cuba. Que , se não bastasse, ainda conta com apoio de ver vermes como o americano Michael Moore, ideólogos petistas, nossa presidente medíocre e jornalistas de terceira categoria (no sentido de responsabilidade e humanitarismo) como Fernando Moraes que defende este regime e ajuda, com alegria infantil, a esmagar pequenas, frágeis e expostas oposições políticas como a da Blogueira Cubana Yoani que sequestrada por seu próprio governo teve o visto para SAIR de Cuba - para vir ao Brasil - NEGADO!!!! (e essa já é décima vez…)

Talvez o mundo, hoje, não possa colocar a China, outro país pária em Direitos Humanos, no seu devido lugar na história ( passado!!!), sob risco de levar o mundo a uma terceira desastrosa Guerra Mundial. Mas Cuba, Coréia do Norte, ditaduras comunistas remanescentes da Ásia, países comunistas párias ou ditatoriais da África, Balcãs e Oriente Médio... todos eles... é uma OBRIGAÇÃO moral, acabar com esses regimes, tirar nem que seja à força e pelos cabelos cada ditadorzinho de seu trono e levá-los a julgamento. Afinal, para que diabos serviria todo o potencial ocidental se não para efetivamente possibilitar aos oprimidos uma chance de alcançar a paz e a liberdade? Seria só para alcançar a felicidade de damas gordas e risonhas? Garotos alegres que só pensam em curtir a vida e parasitar uma condição estável conquistada por seus antepassados com suor e lágrimas?

Com certeza não! Ficar olhando impassíveis essa gentinha matando, torturando e humilhando povos inteiros, só para respeitar esse ideal superestimado da "não-interferência", feita a qualquer custo, é uma vergonha e a história (fora Deus) irá julgar este egoísmo e covardia, sem sombra de dúvidas, de forma absolutamente rígida. Hoje, já mereceremos a pior das avaliações, embora, infelizmente, isso não seja capaz de trazer de volta todos que morrem diariamente sob o nosso olhar omisso e condescendente.


A situação abaixo, a verdadeira realidade da saúde dispensada ao povo cubado, (não aquela mentira marketeira espalhada pelos apoiadores do regime de Fidel) é apenas um de muitos ângulos do que o comunismo fez à nação cubana e, também, do que ele ou as ditaduras de direita, ainda que sejam a grande minoria, ainda fazem a milhões de vidas humanas todos os dias, horas e minutos enquanto gira nosso mundinho azul:”

Acesse:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=350

Fonte: http://www.facebook.com/almeida.dalton/posts/164877526959469

Sobre o título do post: A primeira diretriz é uma famosa norma nascida no programa de televisão Star Trek, clássico da Ficção Científica space ópera, definia que a Frota Estelar não podia interferir em assuntos internos dos planetas contatados, independente da situação. Saiba mais sobre o conceito em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Diretriz_(Star_Trek)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

AQUECENDO OS MOTORES!!

 

 

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O Opuslux passou os últimos meses por um momento de baixa. Mas isso está para acabar. Novos textos estão sendo gestados e muito em breve novas análises e materiais serão disponibilizados. Fique atento!

Dalton L. C. de Almeida

domingo, 3 de outubro de 2010

Que, bem ou mal, falem as urnas - Estadão



Um editorial que fala tudo o que deve ser dito! Com certeza, merece espaço no Opus Lux. Leia!











Que, bem ou mal, falem as urnas
O Estado de São Paulo
03.10.2010
Nesta manhã, ao se abrirem as seções eleitorais para mais uma festa da democracia, estará se encerrando mais um episódio memorável da série do "nunca antes na história deste país": dois mandatos presidenciais sucessivos obstinada e precipuamente focados no projeto político de manter no poder Lula e associados. Com grande habilidade e total desembaraço na manipulação do varejo político, com um carisma capaz de seduzir até os que se julgam mais esclarecidos e ainda com o respaldo de um trabalho bem-feito na aceleração do desenvolvimento econômico e na incorporação de milhões de brasileiros ao mercado de consumo, Lula jamais perdeu de vista o projeto de poder a serviço do qual colocou tudo e todos, inclusive e principalmente as ações de governo. Menos mal que a perseguição desse objetivo transite, pelo menos por enquanto, pela via eleitoral, embora não necessariamente por convicção democrática, mas pela verificação de que, até onde a vista alcança, não existem condições objetivas mínimas para nova aventura escancaradamente autocrática no Brasil.


Quando se têm olhos para enxergar, os fatos demonstram claramente que Lula e o PT não têm projeto de governo, apenas de poder. Foi a opção que assumiram quando se cansaram de ser derrotados nas urnas. Passaram então a fazer tudo, o que quer que seja, passando por cima, se necessário, dos valores éticos que até então defendiam, e até mesmo sobre as instituições da República, para garantir vitórias nas urnas. Primeiro, houve a guinada radical nas principais proposições programáticas do PT com a Carta aos brasileiros, em 2002. Depois, a manipulação da opinião pública, especialmente dos segmentos menos instruídos e por essa razão mais vulneráveis à demagogia, com a massificação de inverdades como a de que o governo Fernando Henrique legou ao País uma "herança maldita". A partir daí, aprendida a lição, Lula e seu partido passaram a defender e praticar, sem constrangimentos, exatamente o contrário do que originalmente pregavam. Se antes, na oposição, o Plano Real tinha que ser combatido, agora, para manter o poder, é bom continuar aplicando seus princípios (sem admitir isso publicamente, é claro); se antes, na oposição, as oligarquias políticas do Norte e Nordeste eram duramente condenadas, agora, para manter o poder, é melhor a elas se associar; se antes, na oposição, qualquer deslize dos administradores públicos era implacavelmente denunciado, agora, para manter o poder, melhor fingir que isso não é nada, coisa pouca, meros desvios.



É impressionante, aliás, a mudança de atitude do inspirador e principal operador desse projeto de poder. Lula, que antes de chegar ao Palácio do Planalto tinha ataques de virtuosa indignação diante de atos de corrupção no governo, uma vez no poder varreu para debaixo do tapete os "erros" cometidos por seus aliados e colaboradores, frequentemente sob suas barbas, quando não lhes passou a mão na cabeça. Não há registro no noticiário, durante toda a era Lula, de uma vez sequer que o presidente tenha vindo a público para condenar explicitamente a corrupção no seu governo ou em sua base partidária - e não foi por falta de escândalos. O máximo a que se permitiu foi a tentativa de desqualificar acusados com o debochado apodo de "aloprados". Toda sua teatral indignação, todo o ímpeto de sua revolta, Lula reservou para atacar quem, por dever de ofício, tem denunciado a falência ética de seu governo: a imprensa.



De qualquer modo, o projeto de poder de Lula chega hoje a um ponto decisivo. O chefe do PT colherá os frutos do que plantou, por um lado, com seus acertos e, por outro, com a extraordinária esperteza que revelou para se manter imune aos efeitos negativos de qualquer tipo de desacerto, especialmente aqueles provocados pela concupiscência da companheirada. Blindado pela imagem do trabalhador de origem humilde que não se intimidou diante da perfídia das elites e logrou o feito histórico de "colocar o povo no poder", descansa agora o presidente na expectativa de sua maior recompensa. O que virá as urnas o dirão. Há que respeitá-las. Mesmo que o maior efeito dessa festa democrática venha a ser uma enorme ressaca para a consciência cívica do Brasil.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Crescimento no número de respostas potencializa futuro de revista de economia

Redação

Com possível apoio de Arnold Schwarzenegger, veículo ainda em fase de projeto leva governo a propor novas estratégias de controle social da mídia

São Paulo, 20 de setembro de 2010 - Foi constatada em recente verificação online que o número de respostas da pesquisa para revista de economia "Brasil 21" deu um salto de quase 50% nos últimos 2 dias, o que potencializa a qualidade da revista em projeto e suas chances de bom futuro. Este crescimento é devido ao repasse orquestrado pelo professor de jornalismo e editor da Band Wagner Belmonte, que não foi encontrado para dar depoimento sobre a questão.

Alunos de diversas faculdades e anos, provavelmente, ajudaram a lançar o número de pesquisa de 51 ao patamar de 73 e há especialistas que garantem que é uma questão de tempo até o "Pesquisa para revista de economia" subir aos trending topics do Twitter.

Em depoimento em sua casa de campo no Alpes o aluno de jornalismo Dalton Almeida declarou "estamos trabalhando em uma inovadora proposta. Por sermos aparentemente inclinados a uma visão mais tucana de política, única opção de oposição no Brasil, e crentes em Deus e na democracia, com certeza tocaremos os corações de centenas de jovens que vêem no lulo-petista de objetivos nazi-fascistas algo a se evitar".

O aluno também disse que já está em conversa com fontes para a revista e, ainda, aventa a possibilidade de, com alguma sorte, "conseguirmos, em breve, um depoimento gravado do megastar da política americana Arnold Schwarzenegger apoiando, o que em sua opinião é um viés republicano e democrático". " Sua opinião não está correta, mas na atual situação da mídia nacional não podemos culpá-lo por essa impressão", complementa Almeida.

O porta-voz da presidência da república negou-se a comentar o assunto do crescimento das pesquisas de uma revista claramente desalinhada com o projeto de poder petista, mas fontes internas garantem que o governo planeja enviar ao congresso, para aprovação, ainda este mês, uma nova legislação de controle social de posições acadêmicas na área de comunicação com foco em trabalhos de conclusão de curso. A proposta têm o objetivo de evitar que ainda nas universidades, posições "du contra" e "anti-patrióticas" tenham espaço ou sejam consideradas válidas para formação de novos profissionais na área da comunicação.

Após os escândalos sobre cobertura de comícios de Dilma Rousseff e contratos sem licitação,fontes internas da TV Brasil, disseram que a emissora dará apoio a nova proposta de controle ideológico de TCC's, a ser proposta pelo governo. Para isso pretende lançar um nova série de documentários mostrando os danos que a pluralidade de posicionamento político, ideológico, filosófico e religioso podem causar a uma democracia libertária de partido único e a sua "sociedade ideal".

Ainda não há previsão para o lançamento da série, mas políticos de Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Irã e China, já deram seu apoio e iniciaram conversações para a exportação e preparação de versões locais dessa nova proposta de serviço social. Que de acordo com o embaixador chinês para a defesa dos diretos humanos é "algo que o mundo precisa há muito tempo".

O PSDB até o fechamento dessa matéria não respondeu as reiteradas solicitações de posicionamento. O partido Verde reclamou da grande falta de participação de ONGs na construção da base de fontes da revista, o que considera “um aspecto importante para credibilidade politicamente correta de qualquer veículo que se preze”. Almeida foi categórico em sua resposta a questionamentos sobre este assunto "ONGs infelizmente não são fontes oficiais para os assuntos tratados, mas, de qualquer forma, o politicamente correto não é o objetivo a ser alcançado por nossa proposta".

A entrega de pautas foi realizada nesse último sábado e é previsto para os próximos dias a conclusão de várias entrevistas.

Da redação,

Opus Lux

Obs: todo e qualquer conteúdo/citação dessa "MATÉRIA", exceto dados de crescimento no número de respostas e o principal responsável por ele, são fictícios e têm o único objetivo de causar algumas risadas. Ou seja, humor! Leiam as TAGS!


Responda você também! Link: http://bit.ly/aBaLhx

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A heresia ditatorial do “branco”

Por Dalton L. C. de Almeida

As reproduções de páginas ricamente trabalhadas de bíblias copiadas a mão por monges da Europa medieval, em geral, surpreendem os observadores pela riqueza de detalhes e quase inexistência de espaços em branco.


Tomadas por desenhos, arabescos, pinturas, texturas e o que mais fosse possível, cada página era, e é, uma obra de arte à parte, transformando o volume de escrituras sagradas em muito mais do que uma “simples” bíblia, e sim, em uma exposição compilada.

No dia 23 de maio a Folha apresentou sua reforma gráfica, seguindo, ao contrário de sua tradição de pioneirismo na área, o Estado de S. Paulo.

Neste processo de muitos aspectos modificados, como fonte do texto, editorias, cadernos, uso de cores entre outros, o maior destaque, ficou exatamente na impressão de “espaço ganho”.

O veículo ampliou a “áreas brancas”, as mesmas que eram “temidas” pelos medievais, talvez, preocupados com o que faria a mente de um leitor que pudesse “descansar” a vista, dando um “tempo” antes de continuar a leitura da “Palavra de Deus”.


Na nova editoração, em especial online, o observador-internauta tem a clara “impressão” de vazio, devido à grande quantidade de áreas brancas e brilhantes, que permeia os blocos de informações “suspensas” por todo o portal. Talvez a intenção fosse buscar um ar mais “clean”, mas ao contrário de O Estado Online, em que o vazio foi preenchido por um azul-bebê de gosto duvidoso e que evita o ar de “falta de algo”, o espaço branco, na Folha Online, efetivamente evidência algo que, aliás, até mesmo a versão impressa não escapou: uma real falta de conteúdo.

Para um leitor tradicional da versão antiga, o portal da Folha Online, que costumava “perder” seus leitores em meio a tanta informação, está incomodamente vazio.


Como toda a reforma, é importante que aspectos positivos sejam preservados e aspectos negativos devidamente extirpados, no caso da Folha Online, o novo projeto prevê um ambiente de leitura e interação mais amigável aos não acostumados a leitura online e/ou jornalística. O problema é que a falta de informações, provavelmente será sentida por aqueles que buscavam a Folha como uma fonte rica.

Na era da virtualização, velocidade, superficialidade e falta de tempo, a Folha curva-se à ditadura do “branco”, para descanso, incrementado pela lógica da informação rápida e curta.
O que será que hão de fazer tantas mentes expostas a áreas de descanso visual? A resposta é uma incógnita, mas sem dúvida, eriçaria os ânimos e conturbaria os sonhos dos copistas medievais preocupados com as “heresias mentais advindas dos espaços em branco”.

Leonardo Boff e a diplomacia do "bem"


Por Gutierres Siqueira

Tento achar um texto legal do teólogo Leonardo Boff, mas está difícil. Há um amontoado de besteiras em seus artigos que fico até espantado. Boff, tão admirado por milhares de seminaristas católicos e evangélicos, escreve muito sobre política. Desta vez publicou um texto com rasgados elogios à política externa do governo Lula. E também para não variar criticou as críticas dos jornais sobre essa política. (Leia o texto aqui).

Cego pelo antiamericanismo retrógrado, Leonardo Boff elogia a “diplomacia pacífica” de Lula em contrapartida a “diplomacia violenta” de Hillary Clinton, secretária de Estado do governo norte-americano. Na sua “dialética” temos a diplomacia do bem e do mal. O legal mesmo é não ser subserviente ao Império, pois Hegel já nos mostrou os males desse complexo. Se o Império luta contra o armamento nuclear do Irã e da Coreia do Norte, então, nós, os hermanos latino-americanos, devemos ser a favor desses países coitadinhos, vítimas da terrível dama Hillary e do presidente Obama. Coisa terrível é se alinhar ao Império, assim Boff pensa!

Como todo “progressista” (que palavra mal empregada), Leonardo Boff acusa nossa imprensa de ser uma “sucursal do Império”. Realmente, quem sabe deveríamos receber informações das redes de TV árabes ou chinesas. Ora, lá eles têm liberdade de informação, não é mesmo? Ou quem sabe deveríamos ler o jornal cubano Granma, o órgão oficial da ditadura catrista. Nas “Reflexões de Fidel”, uma coluna desse jornal, o nome de Leonardo Boff é de vez em quanto mencionado com honras.

Dá até vontade de rir quando Boff acusa os jornalistas de uma mentalidade antiga, voltada à Guerra Fria. Risos. Será que usar termos como “Império” é estar a par da realidade recente? Quem é realmente o retrógrado dessa história? Quem ainda fala em “luta de classes”, “mais valia” e outras ideias exportadas do Século XIX? Risos e mais risos.

Acima segue uma foto que sugiro para Leonardo Boff decorar seu escritório. Ora, existe coisa mais bonita do que o presidente Lula tirar uma foto com o presidente (?) Mahmoud Ahmadinejad na mesma semana que o regime islâmico ditadorial fuzilou alguns presos políticos? Ora, nada mais progressista, não é? Essa é a diplomacia do Século XXI que Boff tanto se alegra.

*Postado originalmente no Blog Teologia Pentecostal (www.teologiapentecostal.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O jornal do futuro?

Por Gutierres Siqueira

A Folha de S. Paulo, como alguns meses de atraso em relação ao seu concorrente principal O Estado de S. Paulo, promoveu mudanças gráficas no jornal impresso. Novos cadernos, ou pelo menos novos nomes nos antigos cadernos, além de um visual mais colorido e com textos curtos procura a aproximação do papel com o online. O lema é a antecipação do jornal do futuro. Será? O site também mudou graficamente. O antigo Folha Online deu lugar para o Folha.com. Mas a mudança ficou restrita ao layout.

O jornal O Estado de S. Paulo inovou melhor. Novos cadernos foram realmente criados, como “Negócios” na segunda-feira. O site Estadão.com ganhou novos colunistas (blogueiros), além de um espaço dedicado exclusivamente para a economia e outro para política. O layout também mudou, além do jornal impresso.

O destaque é que ambos os jornais aumentaram o espaço para textos analíticos e opinativos. A Folha contratou mais colunistas, e os jornalistas da casa ganharam boxes para as suas opiniões. O mesmo aconteceu nO Estado de S. Paulo. O Folha.com dá mais destaque para os blogs, o que antes não acontecia. O Estadão.com sempre liga uma notícia com um texto opinativo que algum dos seus blogueiros tenha escrito.

Em 2009, no ano em que o PIB do Brasil cai 0,2%, a circulação dos jornais pagos caiu 3,46%, segundo estimativas da Associação Nacional de Jornais (ANJ). A Folha de S. Paulo manteve a liderança, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC), com tiragem média de 296 mil exemplares. Entre os principais jornais do país, O Globo ocupa o segundo lugar com 257 mil exemplares. A circulação média de O Estado de S. Paulo no ano passado foi de 213 mil exemplares .

A Folha de S. Paulo pouco inovou. A mudança gráfica é limitada. O Estado de S. Paulo aposta no “conhecimento” em lugar da mera informação. Uma aposta acertada, já que o jornal físico não faz mais sentido em transmitir aquilo que a internet informou 14 horas antes, por exemplo. Novos cadernos analíticos, com novos blogueiros é o caminho.

Agora, todas essas mudanças não respondem a principal questão do jornalismo contemporâneo: Como financiar um jornalismo de qualidade por meio da internet?

Populismo, democracia e liberdade


(Texto vencedor do VII Prêmio Donald Stewart Jr. 2010, promovido pelo Instituto Liberal do Rio de Janeiro-RJ)


Por Gutierres Siqueira

A disciplina é fundamental para o avanço da revolução e essa revolução tem um líder... Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba! (Hugo Chávez, líder populista)

O populismo, a democracia e a liberdade são palavras diferentes que se relacionam positivamente ou negativamente no contexto político das nações. Portanto, partindo de uma análise da América Latina, verificam-se as características e consequencias políticas do populismo na qualidade da liberdade e da democracia nesta parte do globo, principalmente nos últimos anos com o advento do neopopulismo.

O populismo: democracia e liberdade ameaçadas

O populismo é um estilo político de cunho personalista, sendo um traço marcante na vida dos latino-americanos. Os principais governos de vertente populista dominaram quase todos os países latinos, como o Brasil com Getúlio Vargas e a Argentina com Juan Perón. Depois de crise de 1929, os países latinos sofreram transformações importantes, voltando-se para governos autoritários e de discurso demagógico. Os brasileiros, como os demais latino-americanos, conhecem bem as consequencias sociais das políticas aplicadas por presidentes ou ditadores populistas.

Nos últimos anos a América Latina tem sofrido um novo retrocesso político. Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, boa parte dos países sofreu a suspensão da ordem democrática por meio de regimes militares. Nos últimos anos, países como Bolívia com Evo Morales; Equador com Rafael Correa; Nicarágua com Daniel Ortega; Paraguai com Fernando Lugo e a Venezuela com Hugo Chávez elegeram governantes de tendência populista e autoritária, sendo eles contastes críticos da liberdade dos mercados e da liberdade de imprensa. O maior representante do neopopulismo latino é o protoditador venezuelano Hugo Rafael Chávez Frías. Chávez denominou o seu populismo de “socialismo do século XXI” e “bolivarianismo”, baseado no libertador Simón Bolívar.

Definir as políticas de Hugo Chávez como neopopulistas são mera força de expressão, já que o populismo de hoje é praticamente o mesmo, tanto em suas características, como em suas consequencias. O neopopulismo nesse começo de século se alinhou aos sonhos autoritários de uma esquerda carnívora. As principais características do populismo, sejam as de hoje ou do passado, são:

Popularidade pelo assistencialismo

Os governantes populistas praticam o assistencialismo como política de compra e sustentação de votos. Além disso, o assistencialismo serve como manutenção da popularidade. Baseados nas necessidades de classes populares e carentes, os populistas não usam programas assistenciais como paliativos, mas sim como meios perpétuos de dependência do Estado pelo indivíduo.

Diante desse quadro, os populistas criticam todos os que defendem a meritocracia como sustentação própria do homem. Os populistas detestam a ideia do homem como ser autônomo. Preferem achar que o homem é um necessitado do cuidado paternal do Estado em lugar de condições de emprego e estudo para o crescimento pessoal.

Messianismo

Os líderes populistas se comportam como messias. No discurso demagogo se apresentam como a “salvação” para o país. O messianismo é atraente em uma região culturalmente ligada à Península Ibérica. No imaginário de santos e mártires, ligados ao forte catolicismo popular, acabou por fortalecer a figura de homens e mulheres especiais, designados divinamente para uma grande missão libertadora. Fato é que países de tradição protestante são mais resistentes aos líderes messiânicos.

O populismo e suas políticas já são um traço tão marcante da vida nacional. O sociólogo Alberto Carlos Almeida constatou por meio de pesquisas que a maior parte dos brasileiros são defensores de um Estado pesado que gerencie todos os aspectos da economia. Uma mentalidade menos estatizante é mais presente quando o brasileiro aumenta sua escolaridade:

No Brasil, a maioria da população, que tem escolaridade baixa, prefere um Estado mais forte. A mentalidade antiliberal é dominante. Mas, ao colocarmos uma lupa, observamos a divisão de mentalidade entre a escolaridade baixa e o nível superior. O canudo universitário dá poder e aqueles que o têm preferem um Estado mais fraco. [1]

Muitos, inclusive, não se importam com liberdade de imprensa, liberdade de mercados e acham que ser liberal é elitista. Em uma sociedade assim, qualquer discurso paternalista é capaz de mobilizar milhões e milhões de seguidores.

Criação de inimigos

Os populistas sempre enfatizam os seus inimigos reais ou imaginários. “O diabo é o outro”, como diz o chavão. No contexto latino os inimigos de sempre são o terrível imperialismo americano, as grandes multinacionais, os agentes financeiros e os organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Os neopopulistas sempre enfatizam o suposto “golpismo” da oposição, sendo que diante de qualquer crítica ou protesto é visto como um braço que quer derrubar o governo.

Mau gerenciamento econômico

As leis econômicas não fazem os gostos dos líderes populistas. Quase todos os governos latinos somente desmantelaram a economia com o “governo do povo”. Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, escreveu uma sobre o populismo econômico na América Latina, e constatou sobre as consequencias de políticas demagógicas:

Sem dúvida, o século XX não foi bom para os vizinhos aos sul dos Estados Unidos... A Argentina começou o século com PIB per capita real maior que o da Alemanha e dos Estados Unidos. O do México, durante o século, caiu de um terço para um quarto do PIB per capita dos Estados Unidos. O empuxo econômico de seus vizinhos do norte não foi suficiente para evitar a queda. Durante o século XX, os padrões de vida dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e da Ásia subiram, cada um deles, mais de um terço mais rápido que os da América Latina. Apenas a África e a Europa Oriental apresentaram desempenho pior. [2]

Quando a economia está em frangalhos, os populistas apelam para demonizar o inimigo. Confiscam mercadorias, taxam com mais impostos, congelam preços, consequentemente elevam a inflação para taxas astronômicas. Diante da crise, acusam as empresas de desestabilizarem o governo. Tal cenário já foi visto no Brasil, e hoje se repete na Venezuela de Hugo Chávez e, em menor grau, na Argentina do casal Kirchner.

A Venezuela, como citado, é um exemplo contemporâneo de desajustes econômicos, mesmo possuindo uma grande reserva de petróleo. O cientista político peruano Álvaro Vargas Llossa escreveu sobre a economia venezuelana comparando com a economia mexicana, assim apontando alguns dados ruins surgidos sob o governo do caudilho Hugo Chávez Frías:

De 1998 a 2005, a desvalorização da moeda foi de 16% no México e de 292% na Venezuela; a taxa de desemprego era de apenas 3,8% no primeiro e de (oficialmente) 12,9% na segunda, embora, pelas razões expostas, esse índice possa ser consideravelmente maior caso se descartem os empregos ocasionais financiados pelo governo; os lares em situação de extrema pobreza diminuíram no México em 49%, enquanto na Venezuela subiram cerca de 4,5%. [3]

Os recentes problemas como o racionamento de energia na Venezuela, além do câmbio artificial e da alta inflação, mostram que as leis de mercado simplesmente não se curvam diante dos mandos e desmandos de algum presidente. O Brasil, por exemplo, conseguiu uma verdadeira “revolução” econômica com o Plano Real em 1994, sem nenhum processo que visava uma ação midiática ou narcisista do líder da nação.

Empatia retórica com “o povo”

Os populistas dizem que amam “o povo”. Gostam de usar frases de empatia para com a população carente. Falam contra ricos e poderosos, sendo eles mesmos os primeiros ricos e poderosos. Apresentam grande facilidade de se apresentarem como “pai dos pobres”, “amigo dos desvalidos” e outros conjuntos de adjetivação atraentes. Aliás, os populistas olham para a população como uma grande massa e, por isso, usam e abusam da palavra “povo”.

A tendência populista é contrária ao individualismo. Contra essa tendência, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu: “Eu não acredito no povo. O povo é uma abstração totalitária. Eu acredito em pessoas” [4]. Na demagogia a ideia de “povo” é usada tanto para esconder o autoritarismo, como para camuflar a verdadeira intenção do governante, que é o bem pessoal em detrimento do trabalho pela sociedade.

Populista é nacionalista. O nacionalismo se converte em mais poder

O nacionalismo se manifesta de forma grotesca e alucinada. A nação precisa defender os seus recursos naturais e se militarizar contra os inimigos imperialistas. A nação também torna-se inimiga do capital financeiro, que segundo os populistas, só tem interesse em expropriar o país. Longe de usarem argumentos sinceros, os populistas buscam no orgulho nacional uma unidade para preservação e perpetuação do poder.

O nacionalismo na América Latina tem sido usado sistematicamente com o objetivo de poder. O caudilho, termo usado para ditadores latinos e espanhóis, abusam desse discurso para que a opinião pública apoie todos os planos do líder, dando mais poder sobre o legislativo e judiciário. Sob um estado de guerra, o populista tenta justificar todos os seus abusos contra a democracia e a liberdade. E logo proclama: “O Estado sou eu”.

O clássico Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano já alerta sobre isso nos idos da década de 1990:

O caudilho encarna o Estado- o personifica – mas também encarna a sociedade em seu conjunto. O caudilho é a nação. Quando o caudilho se aborrece, a nação se aborrece. Quando está triste, a sociedade se amofina. Quanto ele, o macho, está contente, ela, a fêmea sorri. Quanto mais amantes passam pela cama do chefe, mais se admiram os bíceps políticos do caudilho, mais assustam suas fobias e mais alegram suas inclinações. O humor do caudilho é marco jurídico, político, institucional a servir de referência diária ao país. Diante da ausência de instituições sólidas, o caudilho surge com sua força viril. A lona duração do governo compensa a instabilidade de sociedades incompletas. O caudilho torna-se a única coisa permanente, um verdadeiro projeto nacional em si mesmo [5].

Eis um retrato perfeito da Venezuela atual, onde o caudilho Hugo Chávez já resolveu mudar até o fuso horário do país. Ainda por cima, Chávez governa a vida das pessoas pela televisão, falando do tempo no banho e até da suposta influência dos vídeos games sobre as crianças.

Liberdade às favas

Os populistas minam a liberdade por acreditar que “o povo” é incapaz de se governar. Acham sempre que a população precisa de sua tutela. Dessa forma, decidem desde a comida que a população deve consumir até o jornal que devem ler. Em um Estado governado por um populista, a liberdade sempre será confrontada e solapada pelos gostos do governante. Aliás, quando um líder é maior que a instituição que representa, o autoritarismo já bate na porta.
O populista não possui mecanismos de controle, portanto é um estilo de líder incompatível com a democracia. Com seu discurso inaugural, esse tipo de governante implanta a divisão no país, fazendo com que toda a população se volte contra este ou aquele grupo político. Aliás, o populista acredita em completamente “puros” e completamente“ímpios”, sendo ele o exemplo máximo do melhor que há no mundo. A visão maniqueísta somente leva para a divisão de uma sociedade marcada pela violência e corrupção. Em regimes assim sempre haverá presos políticos.

Democracia reinventada e distorcida

Os esquerdistas sempre valorizam a chamada “democracia direta”, que por meio de plebiscitos e movimentos sociais, a sociedade decide o que quer. Bem, os populistas também acreditam na “democracia direta”, ao ponto que utilizam vários plebiscitos para supostamente manifestar a vontade da maioria. Com propagandas e a máquina do Estado, o líder usa desse artifício para impor a sua vontade.

Sobre a democracia direta, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues afirmou em entrevista que “a tese de contato direto com a população foi usada pelo fascismo” [6]. Certamente, tal artifício somente esconde as intenções autoritárias que minam a democracia por dentro. É bom lembrar que a democracia e o Estado Democrático de Direito não acabam de um dia para a noite, mas sim por processos lentos e constantes rumo ao autoritarismo. Portanto, toda a atenção é pouca diante das várias tentativas de destruir os preceitos democráticos.

Como nem sempre a maioria está certa, e também lembrando que as leis são feitas na base de muita reflexão, nada melhor do que a democracia representativa. Realmente o legislativo no Brasil não ajuda na imagem da representação, mas apesar das imperfeições, a democracia necessita ser um espaço de moderação e civilidade, e não uma maneira de agir baseado na emoção e calor do momento. O professor Ricardo Vélez Rodríguez escreveu que a união entre “povo” ou “massa” supostamente representada sem instituições mediadoras é certamente autoritarismo: “Preocupa notadamente o fato... da tentativa dos Executivos hipertrofiados pretenderem se vincular diretamente às massas- ao povão que dizem representar – deixando de lado as instituições do governo representativo” [7].

Conclusão

O populismo não combina com democracia. A verdadeira representação passa por representantes legitimamente eleitos, e não nos desdobramentos narcisistas de um líder autoritário. A liberdade sempre é ameaça quando um homem ganha a estatura de um Estado.

Referência Bibliográfica:

[1] ALMEIDA, Alberto Carlos. A Cabeça do Brasileiro. 4 ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p 211.
[2] GREENSPAN, Alan. A Era da Turbulência- Aventuras em um novo mundo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. p 323.
[3] LLOSA, Álvaro Vargas; MONTANER, Carlos Alberto e MENDOZA, Plinio Apuleyo. A Volta do Idiota. 1 ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2007. p 73.
[4] AZEVEDO, Reinaldo. Máximas de um País Mínimo. 1 ed. Rio de Janeiro: Record, 2009. p 154.
[5] LLOSA, Álvaro Vargas; MONTANER, Carlos Alberto e MENDOZA, Plinio Apuleyo. Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. 7 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil e Instituto Liberal, 2008. p 243.
[6] RODRIGUES, Leôncio Martins. Democracia direta é impossível de realizar. Entrevista. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 17 jan. de 2010. Caderno Nacional. A8.
[7] RODRÍGUEZ, Ricardo Vélez. O Neopopulismo na América do Sul- Aspectos Conceituais e Estratégicos. Disponível em: <> Acesso em: 18 jan. 2010.

A crise da imprensa

Por Gutierres Siqueira

O desinteresse pela leitura e a ascensão da internet são os grandes desafios dos jornais impressos neste início de século. Acadêmicos, jornalistas e empresários discutem caminhos e soluções para a nova realidade, já que é preciso disputar espaço com as novas mídias eletrônicas e enfrentar a falta de leitores. Com a queda das tiragens, os jornais encaram a dura realidade de perder receitas em publicidades e o próprio consumo do produto.

O jornal impresso, como qualquer bem cultural, não é possível de ser mantido sem financiamento. A publicidade, as assinaturas e as vendas nas bancas e livrarias são essenciais para os jornais manterem a estrutura com jornalistas espalhados por todo o país e pelas principais nações.

I. A crise dos jornais no Estados Unidos

O ano de 2008 despertou um sinal amarelo com as falências de alguns jornais centenários nos Estados Unidos. O jornal Rocky Mountain News, da cidade de Seattle (Washington) faliu após 150 anos de circulação. O The New York Times está vivendo em constante dívida. O jornal precisou vender parte do seu luxuoso prédio para quitar algumas pendências. Além disso, foi necessário pegar dinheiro emprestado com o homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim, dono da Embratel no Brasil.

Reportagem do jornalista André Petry resume bem a crise dos jornais nos Estados Unidos:

O Cincinnati Post de 1881, fechou. O Philadelphia Inquirer, um dos vinte maiores jornais do país, com 180 anos de circulação, pediu concordata. A Tribune Company, que publica títulos como Los Angeles Times e Chicago Tribune, também pediu concordata. O histórico San Francisco Chronicle está à beira da morte. Se ele fechar, São Francisco será a primeira grande cidade americana a não ter um jornal local. O Seattle Post-Intelligencer, cujos repórteres eram confundidos no exterior com "agentes da CIA" devido ao "intelligencer" no nome do jornal, fechou sua versão impressa e agora só existe on-line. O Christian Science Monitor também encerrou sua operação em papel. Em San Diego, o San Diego Union-Tribune luta para sobreviver num ambiente inóspito: a cidade já conta com dois jornais virtuais e um deles, Voice of San Diego, não tem fins lucrativos. Vive de doações. O Boston Globe, do mesmo grupo do Times, está no abismo. Ou corta 20 milhões de despesas ou será vendido. Ou fechado. [1]

O único grande jornal americano que apresentou crescimento em 2009 foi o Wall Street Journal, com um aumento de 0,61%. Hoje, o Wall Street Journal pertence ao conglomerado News Corporation de Rupert Murdoch. O empresário Murdoch tem defendido a combrança de parte do conteúdo online dos jornais do grupo. Seguindo a mesma linha, alguns dos principais jornais do mundo aderiu ao modelo de cobrança do conteúdo mais analítico. Financial Times (Inglaterra), The Guardian,

II. Os jornais impressos no Brasil

Em 2009, no ano em que o PIB do Brasil cai 0,2%, a circulação dos jornais pagos caiu 3,46%, segundo estimativas da Associação Nacional de Jornais (ANJ). A Folha de S. Paulo manteve a liderança, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC), com tiragem média de 296 mil exemplares. Entre os principais jornais do país, O Globo ocupa o segundo lugar com 257 mil exemplares. A circulação média de O Estado de S. Paulo no ano passado foi de 213 mil exemplares

CONCLUSÃO

Aos jornais, resta o talvez fundamental: a explicação do fato, a sua interpretação, a sua análise, os seus efeitos. Não se trata de fazer um jornal intelectualizado, para as elites, mas um jornal que, com linguagem acessível, possa com clareza dar ao leitor médio os desdobramentos das notícias. Tradicionalmente, pela extensão de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televisão. Trata-se de radicalizar esta postura.

Ao pegar na manhã seguinte os jornais, os leitores já não querem ser informados dos fatos, porque já o foram na véspera; querem saber que efeitos eles provocam, que análise pode explicá-los, qual a correta interpretação, como se situar diante deles.
Fomos, afinal, treinados durante décadas para dar notícias e não tanto para analisá-las

Outro caminho que garantirá a sobrevivência dos jornais é menos a publicação do que chamo de acontecimentos, fatalmente noticiados mais rapidamente pela mídia eletrônica, e mais a produção de acontecimentos. Explico-me: todo esforço deve ser feito na busca de reportagens especiais, investigativas, que criem fatos, ou melhor, que os revelem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[1] PETRY, André. Inferno na Torre do Times. Veja. São Paulo, p 90-93. Ed. 2110, 29 de abril de de 2009.

KAMEL, Ali.
Vida longa para os jornais impressos. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE JORNALISTAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, III. Anais. Lisboa, 1997. Observatória da Imprensa: São Paulo, 2005. Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/cadernos/do2005b2.htm > Acesso em: 11 abril de 2010.